4A: O meu escape para tudo "architecture related".
Não posso negar o lugar da arquitectura no meu imaginário: é grande. Desde que comecei a estudá-La na universidade que ganhei um amor indubitável a esta disciplina e, portanto, das coisas que passam pela minha cabeça, uma grande maioria é pois "architecture related". Assim sendo, a4 acaba por se definir para mim como um escape para aquilo que penso, aquilo que desejo, utopizo.
Podemos olhar para a nossa existência como algo triste, passageiro, com um fim tão certo como os impostos. Eu às vezes penso nisso. E penso também que sei que precisamos de algo em que acreditar, um objectivo, uma missão se lhe quisemos chamar, para justificar a nossa existência como seres vivos. Se tivermos um objectivo mais complexo que comer para sobreviver a vida custa menos a passar. E com sorte até se torna um grande prazer.
É bom acreditarmos no que fazemos. É bom estarmos certos que estamos a fazer o bem, que estamos a agir correctamento: faz-nos sentir bem connosco próprios. Não ficamos com problemas de consciência, antes pelo contrário se é que algo assim existe.
Na minha actividade profissional ajudo a que se construa muito, e com um índice bem grande. Não sei se concordo em absoluto com isso, mas também acho que as verdadeiras cidades assistem sempre a mutação, mudanças de pele, crescimento. A cidade quer-se como um organismo vivo que nasceu, cresce(u), e altera vagarosamente, ou nem tanto, o seu aspecto ao longo do tempo. Algumas morrem, mas é um acontecimento algo raro.
Mas assisto no meu meio profissional a muita coisa com que discordo em grande medida. E muita gente à minha volta também parece discordar. Então porquê tomar opções com que a generalidade da opinião discorda? Visão curta? Interesses? Desinteresse?
Não sei se acho interessante apontar o dedo às razões para os males. Não me compete a mim julgar nem castigar. Mas talvez possa indiciar. Acho mais interessante apontar as falhas, apontar os erros. Sugerir, opinar. Idealizar, criar utopias. Alertar. Desenhar um futuro e dá-lo a ver aos outros. Mostrar que as coisas poderiam ser diferentes, melhores.
É preciso querer. Se não quisermos, temos qualquer coisa, aquilo que aparecer. Torna-se necessário sabermos o que queremos querer. Precisamos de objectivos para obter uma realidade desejada. E quando a realidade que nos rodear for aquela que desejamos...sentir-nos-emos bem connosco próprios.
17.2.08
Manifesto(-me)
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment